“Na indústria, as galinhas são consideradas máquinas de produção, sempre recebendo hormônios e comidas para produzirem mais. A galinha nasceu para ciscar na terra, tomar sol, escolher o que vai comer. O homem tira isso do animal quando o aprisiona em lugares lotados e apertados, com luz elétricas que muitas vezes não se apagam, para que o animal coma mais e produza mais. O homem tira o animal do seu habitat natural; frustra o animal da mais básica vontade de viver – tanto que se não tirarem a ponta dos bicos dos animais, eles acabam se mutilando quando se tornam adultos no confinamento. E tudo isso para a galinha botar um ovo por dia. Quando a produção de ovos cai, mandam a galinha para o matadouro. É muita injustiça, ao meu ver. É por tudo isso que não consumo nada que tenha ovos. (…) A vaca leiteira é outro exemplo, por ser explorada a vida toda, com inseminações artificiais, hormônios e antibióticos. Quando os bezerros nascem, logo são tirados de perto da mãe, pois as indústrias têm interesses comerciais para os bezerros e, às vezes, os sacrificam ainda jovens. Isso gera um sofrimento sem tamanho na vaca leiteira, e depois de ser explorada a vida toda, geralmente vai para o suplício do abate final. Quando entendi tudo isso, no mesmo dia passei a ser vegano”. (Depoimento de Vladimir Ferreira, 32 anos, administrador de empresas) Fonte: http://www.portaljj.com.br/interna.asp?int_id=162628

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Tofu mexido, espinafre com molho cremoso de queijo (de leite de soja), salada, pão integral e capuccino (também com leite de soja)
Veganismo é o modo de vida de quem se habituou a comer alimentos que não têm origem animal, como carne, ovos e leite. Veganos também são contrários à indústria de peles e couro, ao consumo de cosméticos e de medicamentos que fazem experiências com animais em laboratório.

Na mesa do café da manhã do administrador de empresas Vladimir Ferreira, 32 anos, geralmente estão pão integral com melado de cana ou tomate seco com patê de tofu, granola com frutas, suco ou chá. No almoço, arroz integral e feijão, tofu grelhado, batata frita, refogado de legumes com PVT (proteína de soja granulada) e polenta ao sugo. “De verdura eu só como espinafre de vez em quando e gosto muito de couve de bruxelas. Também como quase todo dia macarrão ou lasanha ao sugo, com PVT e brócolis, e de sobremesa, à noite, duas ou três frutas”, acrescenta Vladimir, que faz parte do grupo dos veganos há 10 anos.

Diferente do vegetariano, que também consome leite e ovos, o vegano é aquele que não come carne e nenhum produto de origem animal, como peixes, mariscos, ovos, leite e laticínios. A indústria do vestuário (peles, couro e camurça) também é excluída da vida do vegano, conforme explica Vladimir. “Os veganos boicotam, ainda, a exploração de animais em experiências de laboratórios, nas aulas de vivissecção e no entretenimento humano em circos, zoológicos e rodeios”, completa ele, que também é estudante de alquimia e de medicina natural.

Antes de se tornar vegano, Vladimir era vegetariano convicto. “Cresci com a ideia de que podia viver bem sem comer carne e, assim, não patrocinava o sofrimento dos animais nos abatedouros. Eu sempre ouvia falar dos veganos, mas não entendia o porquê deste extremismo. Achava meio absurdo. Quando a internet se popularizou e tive mais acesso à informação descobri que a exploração dos animais vai muito além da carne”, comenta.

O administrador relata que demorou um pouco para se adaptar ao veganismo, mas conseguiu. “Foi aí que surgiu aquela vontade de fazer algo pelos animais e achei que divulgar a informação era o melhor caminho. Então criamos um site (www.veganos.org), com informações básicas, no qual vendemos camisetas, na esperança de divulgar o veganismo no Brasil.”

Vladimir ainda acrescenta que há vários grupos veganos no País sendo que a maioria são independentes. Outros são ligados a religiões e artes marciais. Outros ligados ao movimento Straight Edge ou ALF (Animal Liberation Front) . Outros ainda ligados a ONGs de proteção aos animais. “Na cidade de São Paulo, somos um grupo pequeno e independente, com cerca de 15 pessoas. Nosso trabalho se dá principalmente com a venda de camisetas e fazemos, eventualmente, palestras em escolas e centros comunitários sobre o veganismo”, ressalta. Segundo ele, os grupos convergem para um mesmo objetivo: o de abolir a exploração dos animais – sejam os de consumo, sejam os utilizados em pesquisas ou em entretenimento.

Sofrimento animal – Para Vladimir, o veganismo é uma postura ética pessoal, baseada na não-exploração de todos aqueles que são capazes de sofrer e ter emoções. “Em geral, todos pedimos e lutamos por justiça e agimos com a filosofia de respeitar o próximo. No entanto, se pensamos um pouco no que fazemos aos animais, podemos concluir que tudo o que não desejamos para nós, praticamos contra eles: aprisionamento, tortura, exploração e extermínio cruel”, analisa. “Se não fazemos isso diretamente, pagamos para alguém fazê-lo, quando vamos ao mercado ou ao açougue e compramos carne. Os veganos descobriram uma coisa óbvia: somos nós, consumidores dos produtos de origem animal, que patrocinamos todo o sofrimento dos animais nos matadouros e fazendas de criação pelo mundo”, destaca Vladimir.

Para ele, há condições de ter uma vida saudável no Brasil, sem que seja preciso o consumo animal. “Não acho justo um animal morrer em desespero pra nos alimentar”, justifica. No próximo dia 1º de novembro será comemorado o Dia Mundial do Vegano. Em São Paulo ocorrerão passeatas, exibição de vídeos sobre o veganismo na Avenida Paulista, oficina de capacitação de voluntários e festival de cinema em Curitiba, cujo tema é “Libertação dos Animais”.

PAULA MESTRINEL 30-10-2011

Fonte: http://www.portaljj.com.br/interna.asp?Int_IDSecao=1&int_id=162626

Existem estudos que indicam Jesus Cristo como um vegetariano fervoroso!

Estou acostumada a escutar todo tipo de argumento com relação a adesão da carne no cardápio, as justificativas são muitas desde sobrevivência natural, cadeia alimentar, soberania humana, restrições a proteínas vegetais, enfim, nesses anos que assumi minha postura ética, tenho me deparado com esses argumentos que fortalecem cada vez mais minha convicção de que estou no caminho certo.

Por esses dias estava a mesa com mais pessoas não vegetarianas e elas por sinal me questionavam novamente da minha posição. Como sempre as pessoas não vegetarianas tendem a achar que o vegetarianismo é uma postura radical, e na maior parte do tempo fazem pouco caso e tratam com indiferença seus argumentos.

Uma pessoa a mesa me forneceu a seguinte pergunta:
– Ora, quando Deus criou o homem, fez os animais para lhe servir, qual o mal de utilizarmo-nos deles para alimentação?

Uma pergunta dessa faz com que a gente trema, existem milhões de respostas que poderiam ser ditas, existem milhões de argumentos que podem ser expostos, mas para aquele tipo de pessoa era jogar palavras no lixo, pois ela só ouviria o que ela julgasse valido.

Essa cegueira espiritual é delicada de se debater, se você está preocupado em informar e não a discutir, tem que saber como contar a esse ser humano que não existe justificativa para os atentados que são cometidos contra os animais, nem em nome de Deus existe argumento cabível.

A bíblia já foi reescrita tantas vezes e me admira que em nenhuma dessas reedições deste livro tenham mudado essa passagem de Gênesis. O Deus cristão não pode ser conivente com os assassinatos, torturas e maus tratos que seus também filhos animais (criados por ele, segundo a doutrina cristã) sofrem todos os dias.

O novo testamento, que faz parte da bíblia utilizada como guia em inúmeras religiões, incluindo a maior delas no Brasil, a Igreja Católica, tem como principal mandamento instituido pelo próprio Jesus Cristo a seguinte lei ” Amai ao próximo como a ti mesmo”.

Em nenhum momento está escrito que esse próximo é um ser humano, o próximo é qualquer um que precise da sua ajuda.

Os animais não estão aqui para nos servir, eles não são inferiores a nós humanos, apenas por não serem da nossa espécie por ter tipos de inteligência diferentes das nossas, não nos dá o direito de colocar-mos esses animais a nossa disposição, servindo como comida, vestimento, entretenimento e cobaias.

Se Deus existe e olha pra tudo que fazemos, pesando em sua balança divina a quantidade de atos bons e a quantidade de atos ruins afim de que na nossa partida isso seja utilizado para nos julgar num possível pós-vida, tenho certeza que ao deixar de matar um ser indefeso para servir de alimento enquanto temos uma incrivél quantidade de vegetais para nos alimentar, acredito que ao pouparmos as vidas e nos colocarmos como iguais tenhamos entendido de fato o que é amor e compaixão.

Os religiosos, tementes a Deus tinham que ser os primeiros a defender tal bandeira, pois são de pessoas com sentimentos como a solidariedade, compaixão, fraternidade que esperamos mais empatia. Os animais são nossos próximos, são nossos irmãos, nossos protetores e por isso estão tornando-se nossas vítimas.

A matança tem que parar e a ignorância também!

Fonte: http://cartuntivismo.blogspot.com

 

A Vaca Miserável

Posted: 30/07/2011 in *** Todos ***, Veganismo

O caminhão que carregava esta vaca estava descarregado na área de depósito de uma empresa ( Walton ), em Kentucky em uma manhã de setembro. Depois de outros animais serem removidos do caminhão, ela foi deixada para trás, incapaz de se mexer. Os trabalhadores do depósito bateram e chutaram-na no rosto, costelas e costas. Eles usaram, como de costume, aparelhos de choques elétricos em seu ouvido para tentar tirá-la do caminhão, mas ainda assim a vaca não se mexeu. Os funcionários então amarraram um cordão em volta de seu pescoço e amarraram a outra ponta em um poste, e foram embora com o caminhão. A vaca foi arrastada no piso do caminhão e então caiu no chão, caindo com suas pernas traseiras e pélvis quebradas. Ela continuou na mesma posição até às 7:30 daquela noite.

A vaca ficou sob o escaldante sol chorando pelas primeiras 3 horas. Periodicamente, quando ela urinava ou defecava, ela usava suas pernas dianteiras para se arrastar ao longo da rodovia desnivelada até um local mais limpo. Ela também tentou se arrastar para a sombra, mas não conseguiu se mexer para muito longe de onde estava. Os funcionários não deram água à ela, e a única água que ela recebeu foi dada por Jessie Pierce, uma ativista e moradora local, que havia sido contactada por uma mulher que testemunhou o incidente. Jessie chegou ao meio dia. Após não ter recebido nenhuma cooperação dos trabalhadores, ela ligou para a polícia do condado de Kenton. Um policial chegou mas foi instruído pelos seus superiores à não fazer nada à respeito. Ele deixou o local às 13:00 hs.

Um funcionário do depósito informou Jessie às 13:00hs que ele havia obtido permissão da companhia de seguro para matar a vaca mas que não o faria enquanto Jessie não fosse embora. Embora na dúvida que o funcionário manteria sua palavra, ela foi embora às 15:00hs. Retornou às 16:30hs e encontrou o local vazio. Três cachorros estavam atacando a vaca, que ainda estava viva. Ela havia sofrido vários ferimentos de mordidas, e sua água havia sido removida. Jessi contactou a policia do estado de Kentucky. Quatro policiais chegaram por volta das 17:30hs. O patrulheiro Jan Wuchner queria matar a vaca com sua arma mas lhe foi dito que uma veterinária a mataria. Os dois veterinários do depósito não queriam matar a vaca alegando que, para preservar o valor da carne, ela não poderia ser destruída. O açougueiro chegou às 19:30hs e atirou na vaca. Seu corpo foi comprado por U$307,50 dólares ( normalmente animais que são aleijados ou machucados ou que são encontrados mortos são considerados inaptos para consumo humano e são usados para comida de animais como cães e gatos ).

Quando o operador do depósito foi questionado anteriormente pelo repórter do The Kentucky Post, ele declarou: Nós não fizemos absolutamente nada com relação à isso, e referiu a atenção dada à vaca por trabalhadores humanos e pela policia como besteira. Ele riu durante o questionamento, dizendo que não encontrou nada de errado com a forma que o incidente havia sido conduzido.

Isto não é um caso isolado. É tão comum que animais nestas condições são conhecidos no mundo americano da indústria da carne como animais miseráveis. Após este incidente, a associação ética americana à favor dos animais PETA deu atenção suficiente à este problema até que o departamento policial do condado de Kenton adotou a regra demandando que todos os animais em condições miseráveis sejam imediatamente concedidos à eutanásia, estejam eles na fazenda, sendo transportados ou em matadouros.

Infelizmente, muitas cidades dos Estados Unidos e do mundo todo não têm tais leis e animais em condições miseráveis continuam a sofrer. Tal atitude está nas mãos dos próprios moradores e cidadãos, e está nas mãos dos consumidores em recusar-se a comprar os produtos desta indústria miserável e triste.

Título Original: Downed Cow

Fonte: www.peta.org Tradução: www.vivaosanimais.com.br.

Gary L. Francione é Distinguished Professor de Direito e o Katzenbach Scholar de Direito e Filosofia na Rutgers University, EUA. Autor de 5 livros, Francione desenvolveu a teoria de direitos animais abolicionista.

1. Todos os seres capazes de sentir (seres sencientes), humanos ou não-humanos, têm um direito: o direito básico de não ser tratados como propriedade dos outros.

2. Nosso reconhecimento desse direito básico significa que devemos abolir, em vez de simplesmente regulamentar, a exploração institucionalizada dos animais — porque ela pressupõe que os animais sejam propriedade dos humanos.

3. Assim como rejeitamos o racismo, o sexismo, a homofobia e o preconceito contra as pessoas de idade, rejeitamos o especismo. A espécie de um ser senciente não é razão para que se negue a proteção a esse direito básico, assim como raça, sexo, orientação sexual ou idade não são razões para que a inclusão na comunidade moral humana seja negada a outros seres humanos.

4. Reconhecemos que não vamos abolir de um dia para o outro a condição de propriedade dos não-humanos, mas vamos apoiar apenas as campanhas e posições que promovam explicitamente a agenda abolicionista. Não vamos apoiar posições que reivindiquem supostas regulamentações melhores da exploração animal. Rejeitamos qualquer campanha que promova sexismo, racismo, homofobia ou outras formas de discriminação contra humanos.

5. Reconhecemos que o passo mais importante que qualquer um de nós pode dar rumo à abolição é adotar o estilo de vida vegano e educar os outros sobre o veganismo. Veganismo é o princípio da abolição aplicado à vida pessoal. O consumo de carnes (vaca, ave, pescado, etc), de laticínio, ovo e mel, assim como o uso de animais para roupas, entretenimento, pesquisa ou qualquer outro fim, são incompatíveis com a perspectiva abolicionista.

6. Reconhecemos a não-violência como o princípio norteador do movimento pelos direitos animais.

© Ediciones Ánima

Tradução: Regina Rheda

http://www.anima.org.ar

 
Atualmente muitas pessoas falam sobre aquecimento global. Infelizmente nem sempre abordado pelos meios de comunicação como deveria. Porém, serei um tanto otimista em dizer que ao menos vem sendo muito mais debatido e que mais pessoas buscam saber o que podem fazer para reduzirem seu impacto.
Podemos afirmar que, ao adotar e praticar a dieta vegetariana, você está colaborando muito. Não é o suficiente. Todos devem estar atentos e pesquisar para, cada vez mais, praticar ações por uma vida sustentável e cautelosa a fim de minimizar seus efeitos maléficos ao clima, mas o vegetarianismo é uma imensa colaboração pela ótica do consumo responsável, ético e consciente.
Sabemos, com comprovação científica pelo IPCC (Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas), que o aquecimento global é a conseqüência do uso de recursos naturais de forma exagerada e irresponsável – os gases que prejudicam nosso clima e potencializam o efeito estufa, ocasionando o aquecimento exagerado da Terra são provenientes da utilização de bens materiais altamente poluidores e hábitos errôneos, inclusive alimentares, arraigados ao cotidiano dos seres humanos.
No Brasil, a prática que mais libera dióxido de carbono (CO2) – um dos piores gases – é o desmatamento na Amazônia. E por que desmatam? Para plantar soja e outros grãos, a maior parte destinada à ração animal e não à alimentação humana como muitos pensam, para extrair madeira – ilegal em grande quantidade, para carvão e, principalmente, para dar espaço aos bois – a perversa e cruel pecuária. Segundo Gilney Vianna, secretário de políticas para o desenvolvimento sustentável do Ministério do Meio Ambiente, “75% das áreas desmatadas na Amazônia são ocupadas pela pecuária”, onde vivem torturados e infelizes 70 milhões de bois.
A pecuária, que também inclui os outros animais confinados e criados para servirem de alimento, além de acarretar problemas com o desmatamento, também produz, por meio do processo digestivo dos animais e seus dejetos, um outro gás altamente perigoso e danoso ao clima, o metano. “Cerca de 35% a 40% vêm da pecuária bovina. Sendo o metano 21 vezes mais prejudicial que o CO2”, afirma o engenheiro agrônomo Maurício Palma Nogueira, autor de diversos artigos sobre o tema.
Estudo realizado pela ONU – FAO (Organização das Nações Unidas para a agricultura e alimentação), diz que o setor pecuário é pior que os transportes para o clima, já que o CO2 liberado na atmosfera é ainda superior ao emitido por carros. Além do dióxido nitroso, que possui poder aquecedor 296 vezes maior que o CO2. Henning Steinfeld, um dos autores deste estudo, o concluiu da seguinte forma: “A pecuária é um dos causadores mais significativos dos problemas ambientais da atualidade”.
E não pára por aí. O relatório também prova que 64% do total de amônia, principal causadora de chuvas ácidas, vêm da pecuária e prejudica, entre outros, os oceanos – estes que também possuem papel fundamental para a saúde do planeta e estão em processo de degradação pela irresponsabilidade humana. “Os oceanos absorveram 48% do C02 emitido por nós para a atmosfera nos últimos
200 anos”, afirma Christopher Sabino,
do National Oceanic Atmospheric Administration, autor de um artigo sobre o tema publicado no jornal Science. Vegetarianos colaboram imensamente para o clima também por não alimentarem a indústria pesqueira. Atualmente, 75% dos peixes comercializados vêm da pesca predatória, ameaçando a existência de várias espécies como atum e linguado. Os corais estão se deteriorando pela acidez das águas e, como não poderia ser diferente, pela pesca – especialmente a realizada em águas profundas, que chega a destruir corais de centenas de anos. Para que a recuperação das vidas marinhas fosse viável, as águas precisariam estar limpas, o que está cada vez mais distante da realidade. Novamente, a dieta vegetariana ganha força, já que uma das grandes causadoras da poluição das águas é a pecuária e, com grande eficiência, a criação de porcos. Dados da Sociedade Vegetariana Brasileira mostram que uma criação de porcos média produz a mesma quantidade de excrementos quanto uma cidade de
12 mil habitantes. Até reservas subterrâneas de água são contaminadas, como o aqüífero Guarani. Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina realizaram um estudo em 2004 e descobriram que o risco de contaminação das águas, vindo do depósito de fezes e urinas da suinocultura, é muito preocupante.
O último relatório do IPCC trouxe diversas previsões assustadoras para nosso planeta – como fome, falta de água, inundações e extinções. E, cabe enfatizar, previsões essas para todas as espécies. Contudo, é momento de nos enxergamos por outra ótica, deixarmos de inferiorizar os outros animais e de supervalorizar o ser humano. Com bases científicas a favor do planeta, é hora de divulgarmos os benefícios do vegetarianismo como nunca! 

 Paula Schuwenck

 
Imagine o Mercado de Delos, numa cena corriqueira do século 3 A.C.. Lá, homens, mulheres e até crianças eram “emplacados” com tábuas penduradas no pescoço com origem, qualidades e defeitos descritos e o preço em dracmas. Comerciantes abastados chegavam à ilha da cidade, compravam essas pessoas para lhes servirem de escravos e arrogavam então a si a posse dos humanos comprados.Imagine você, vindo de uma viagem no tempo, perguntando para um comerciante daqueles quem eram aquelas três crianças nuas no barco dele e se tinham algum parentesco com ele. Então ele diz: “Ah, são uns escravos que comprei agora há pouco. E não sou pai deles, sou dono”. E explica que os garotos comprados eram de sua preferência: morenos, cabelos longos e de olhos verdes, e satisfaziam aos seus desejos de ter crianças bonitas para sua companhia afetiva.

Uma sensação de indignação e compaixão invade você ao ver aquele senhor tratando aquelas crianças como mercadorias, como coisas, como objetos de posse e categorizáveis. Não tolera que ele esteja daquela forma comprando vidas humanas dotadas de afeto e sentimentos num mercado. Num ato de reação humana a atos de desumanidade, você semeia uma conversa argumentativa com o “dono” das crianças na intenção de mostrar que ele está sendo imoral e desumano e fazê-lo libertar aquelas crianças ou adotá-las como filhos de verdade. Seus argumentos falam de as crianças serem humanas iguais a ele, terem sentimentos, pensamentos, desejos, virtudes e direitos naturais à dignidade. O homem então, depois de dez minutos de conversa, vai embora irritado, levando as crianças, sem assimilar a moral de direitos humanos que você tentou incutir nele. Para ele, os meninos eram seres inferiores e sem direito à dignidade que apenas os humanos de sua “raça” tinham e cujos sentimentos e demonstrações de inteligência serviriam para sua função de escravos de companhia.

Agora, imagine você, dois anos depois de voltar daquela viagem temporal, na frente de um pet shop, querendo comprar filhotes de um yorkshire, manifestando preferência por cãezinhos de pêlo comprido, liso e de cor acaju. Paga então 600 reais por dois cachorros. Quando você vai saindo com os dois filhotes recém-desmamados, chega um defensor animal, com a camisa manifestando o ideal da libertação animal. Ele logo começa uma pequena entrevista com você sobre os animais recém-comprados. “Você é o quê desses cães? E como os obteve?”, pergunta o ativista. Você, imaginando o quão idiotas aquelas perguntas pareciam ser, diz cordialmente “Sou dono deles, ué. Comprei-os aqui no pet shop”. E afirma que você os comprou para que lhe fossem companheiros. Uma sensação de indignação e compaixão invade o rapaz ao ver você tratando esses animais como mercadorias, como coisas, como objetos de posse e categorizáveis (você os comprou com seletividade de raça, cor e pelagem). Ele então lhe bombardeia de argumentos que corroboram o caráter antiético do comércio e da arrogância de posse de animais: um deles é que os animais não-humanos têm sentimentos, pensamentos, desejos, virtudes e direitos naturais à dignidade, ainda que os pensamentos sejam construídos de forma diferente do pensar humano.

Você, caso seja empático, começa a ficar pensativo: algo parecido já acontecera antes. Depois de uma boa reflexão, repara que as únicas diferenças entre as criaturas defendidas por você no século 3 A.C. e as defendidas pelo defensor animal no século 21 D.C. são a espécie e a presença ou ausência das capacidades de fala articulada, raciocínio, intelecto e trabalho manual complexo.

Partindo dessa lição que você teve com a relação entre as falas do ativista da causa animal e o déjà-vu de Delos, convido a pensar: é certo categorizar um animal de espécie diferente como portando uma vida inferior à humana só por causa da falta de habilidades humanas, a despeito de todas as semelhanças existentes?

Se você começar a refletir seriamente e finalmente pensar “É, por que os animais, que são mais parecidos conosco do que pensamos tradicionalmente, ainda assim são tratados como inferiores?”, vai, por tabela, perceber também que é eticamente errado arrogar a si os direitos de ter posse de animais e valorar suas vidas. Do mesmo jeito que é considerado absurdo valorar a vida humana ou ter posse da vida e pessoa alheia.

Para ser mais evidente ainda em minha colocação sobre o especismo e a antiética da posse e comércio de animais não-humanos, vamos adotar dois exemplos que você considera nobres.

Primeiro, pense num Homo erectus. Ele tinha sentimentos, desejos, virtudes, pensamentos, como você que é Homo sapiens sapiens. Mas não tinha o intelecto nem o raciocínio apurado que você tem, nem falava direito e suas melhores ferramentas eram objetos de pedra rudimentarmente trabalhados. Pergunto: ele era inferior a você? A vida dele era inferior à sua? Ele merecia restrição de direitos só porque não tinha as habilidades humanas desenvolvidas? Deveríamos comercializá-los em “super pet shops” caso existissem? Pense nisso.

Agora pense num bebê. Você vai pensar “Poxa, um bebê? Claro que ele tem sentimentos, desejos, virtudes, pensamentos (ainda que em linguagem rudimentar), etc.”. Mas entro com a suposição de que ele fosse um bebê que tivesse uma doença degenerativa que lhe causasse uma atrofia cerebral, impedindo que ele desenvolvesse a maioria de suas habilidades de ser humano quando crescesse, e fizesse-o morrer aos 12 anos (mesma idade em que muitos cães e gatos morrem). Reflita então: ele merece ser vendido? Você compraria esse bebê de uma família que não tivesse condições de custear sua sobrevivência? Você se acharia dono desse bebê? Atenção, lembre-se de que ele não poderia nunca desenvolver intelecto, raciocínio, habilidade laboral, nada disso. Mas não deixa de ter sentimentos, desejos, necessidades e virtudes. Ele inclusive demonstra muito carinho para com você, da mesma forma que os filhotes de yorkshire comprados na história dos primeiros parágrafos lhe demonstram.

Faço a pergunta depois de todos esses casos: qual a diferença entre os seres humanos normais e os descritos no parágrafo acima? A presença de raciocínio, intelecto, habilidades manuais, etc.. E agora qual é a diferença entre o bebê mais o Homo erectus e os cães, gatos, bois, peixes-betas, iguanas, etc.? A única resposta adequada, apesar de sua possível visão especista indignada com minha comparação, é: a espécie. Daí pergunto: por que você compra cães e gatos mas repudia uma hipotética comercialização de espécimes de Homo erectus ou bebês com deficiência de raciocínio?

Agora você está começando a enxergar o quão antiética é a venda e a posse de animais. Não é ético que comercializemos ou nos apossemos de animais, que têm tanto em comum conosco e cujas ausências de habilidades humanas poderiam ser notadas em outros hominídeos ou em humanos com capacidades cerebrais comprometidas.

Como a posse de animais é algo moralmente errado, não devemos mais nos considerar “donos” dos animais, uma vez que a palavra “dono” conota posse ou propriedade e odiaríamos que alguém dissesse ser dono de seus filhos. O certo é nos entitularmos “tutores”, já que estamos educando e cuidando de nossos animais domésticos e os termos “educação” e “cuidados” servem perfeitamente também para nossas crianças ou, por outro exemplo, intercambistas que estejam sob nossos cuidados. E como o comércio de animais também é antiético, fica meu clamor: NÃO COMPRE OU VENDA ANIMAIS, ADOTE-OS OU DOE-OS.

P.S: Se você se irritou com este artigo, pergunto: qual é o fundamento dessa irritação, além de mero especismo? O que foi dito aqui que está indiscutivelmente errado? E por que para você os animais não-humanos continuam não merecendo os direitos básicos que o ser humano tem (liberdade e dignidade, para dar os exemplos mais óbvios)? Acalme-se e reflita com o melhor de sua racionalidade.

Robson Fernando*
 
* recifense nascido em 17/02/1987, é estudante de Gestão Ambiental e escreve artigos independentes (ainda sem remuneração). E-mail: robfbms@hotmail.com